O desenvolvimento da identidade visual da 24ª Semana Nacional de Museus nasce de uma reflexão sobre o tema: MUSEUS: UNINDO UM MUNDO DIVIDIDO. Em um tempo atravessado por fraturas profundas, como conflitos, desigualdades estruturais e polarizações, a campanha utiliza o contraste de cores e a força das imagens para reafirmar o papel estratégico dos museus na garantia de direitos e na construção de horizontes democráticos.
O desafio principal foi imprimir visualmente que a busca pela paz deve vir acompanhada de atenção aos problemas de contraste no país. Uma abordagem crítica que instiga a busca pela união e interlocução, reforçando que discursos apaziguadores não devem acobertar erros.

- A união e a interseccionalidade: No primeiro cartaz, o entrelaçamento de mãos que manipulam fitas coloridas (nas cores roxa, azul, verde, amarela e vermelha) simboliza a pluralidade de saberes e identidades. Essa imagem traduz a abordagem interseccional necessária para compreender como múltiplos marcadores sociais se articulam. O colar de contas e as fitas que caem para fora da moldura representam a vida e a cultura que não se deixam aprisionar por narrativas hegemônicas, reforçando o compromisso institucional com a reparação simbólica.

- A representatividade: O segundo cartaz propõe uma subversão estética. Uma senhora sertaneja, em uma pose de composição piramidal, muito comum em pinturas renascentistas, é colocada no centro do debate museológico. Ao emoldurá-la, ornamentada diante de uma paisagem de casas de taipa e vegetação seca, a identidade eleva a história de comunidades tradicionalmente excluídas ao status de patrimônio. Trata-se de uma provocação aos museus para assumir a responsabilidade ética de enfrentar silenciamentos históricos e processos de apagamento.
Elementos gráficos e estética
Buscamos inspirações visuais que ilustram minorias, diversidade e espaços que permitem que as pessoas se vejam, fortalecendo a memória e atentos à realidade para a escolha dos elementos de composição visual da identidade.

- Molduras: o uso de molduras clássicas para enquadrar os elementos principais serve para revisitar criticamente o padrão encontrado em museus históricos, convidando a preencher a moldura com elementos que validem a diversidade, a resistência e as criações que fazem parte do contexto social brasileiro.
- Formas abstratas: as formas circulares e orgânicas sugerem o abstrato de museus modernos e o movimento circular, acolhedor e fluidos de espaços de escuta e criação ativa.
- Texturas: no fundo, um texto manuscrito em marca d’água simboliza o direito à memória como um fundamento essencial e em constante construção.
- Pessoas: o uso do elemento humano enquadrado, tanto as mãos trabalhadoras quanto à senhora do sertão serve para revisitar criticamente a herança dos museus. Em vez de privilegiar vozes hegemônicas, a busca é de validar a diversidade, a resistência e as criações que constituem a verdadeira experiência social brasileira.

Às vezes o museu afasta o público, pela falta de conexão e por não se reconhecer naquele espaço. Buscamos mostrar que o museu é um lugar para todos e provocar as instituições a levar para dentro de suas exposições e vivências, mais diversidade para que o público se reconheça no que é exposto e reproduzido dentro do museu. Para isso, criamos uma persona brasileira, inspirada na Mona lisa.
Paleta de Cores e Mensagem Visual

Escolhemos cores complementares para representar a divisão e evocar a urgência em qualificar o debate e a energia necessária para a transformação. O vermelho vibrante atua como um ponto de alerta e o turquesa introduz uma dimensão de renovação e esperança.
Logotipos

A tipografia MUSEO é uma família semisserifada notável com formas simples, abertas e detalhes originais, e foi escolhida para a criação do logotipo do tema para trazer um design moderno, que permite criar a conexão entre as palavras.

Buscando uma boa legibilidade em diferentes tamanhos escolhemos as tipografias Montserrat e LATO para compor o logotipo da semana.
Museu como território de direitos e diálogos
Unir um mundo dividido exige mais do que boas intenções; exige a afirmação do museu como território de direitos. A identidade visual da 24ª Semana Nacional de Museus é um convite e um desafio para que indivíduos e coletividades tenham suas histórias reconhecidas, preservadas e difundidas com dignidade.
Ao reconhecer conflitos e desigualdades por meio desta identidade, o objetivo é estimular a participação ativa da sociedade na definição dos sentidos atribuídos ao patrimônio cultural, buscando uma sociedade mais plural e democrática.